Livros para você ler em 2026



2026 se inicia e para melhorar seu vocabulário, sua atenção, foco eu recomendo a leitura. A leitura sempre esteve presente na vida do ser humano desde que a escrita foi criada. Por conseguinte, o hábito tornou-se indispensável. O ato de folhear um livro exerce todos os nossos sentidos, a sensação de prazer é extasiante. Ler cada palavra e atribuir sentido a elas é um ato magnífico de expansão mental. Assim, realmente conseguimos entender a mensagem que o autor deseja transmitir.

Hoje eu reservei alguns livros de autores renomados e consagrados da literatura universal que exploram temas atemporais, que farão uma grande diferença e impactará sua vida de forma significativa, desafiando você a repensar suas próprias convicções. 


Crime e Castigo de Fiódor Dostoiévski. 

Considerado uma das obras-primas da literatura universal, Crime e Castigo não é só apenas um livro, ele é um manual de como o arrependimento pode destruir e corroer a consciência humana.

Raskolnikov, personagem principal, é um jovem de 22 anos, super inteligente, que mora em São Petersburgo, na Rússia. Mas, que por acasos da vida, larga a faculdade. Movido por uma ideia, baseada em um pensamento de que existem dois tipos de pessoas no mundo, as extraordinárias e as comuns. As extraordinárias seriam as pessoas que estariam acima da moral e de qualquer outra coisa, que fizeram algo de bom no mundo e deixaram a sua marca. Podem fazer qualquer coisa por um bem maior. Já as pessoas comuns, seriam aquelas que não acrescentam nada no mundo. 

Ele decide cometer um crime, acreditando libertar outras pessoas e também a si. Mas, logo a culpa o toma, a consciência pesa e o faz delirar de febre. O autor nos lança dentro da psique desse personagem e o leitor passa a viver os próprios delírios de Raskolnikov. É um livro denso, pesado, cheio de camadas. É complexo, difícil de digerir. Eu refleti muito em diversos trechos.

Destaco: "Matei a mim mesmo e não a ela! Acabei comigo de uma vez só e para todo o sempre!..."

 Esse diálogo acontece na página 444 quando ele está conversando com uma personagem, deveras interessante, chamada Sônia. Sônia é uma prostituta, forçada a trabalhar como tal para sustentar sua família. Ela teve uma infância difícil e é filha de pai alcoólatra. É religiosa e tem muita fé. Quando Raskolnikóv a conhece, logo se sente confiável para confessar seu segredo, pois vê nela um sofrimento interno e a julga estar na mesma posição de sofrimento. 

Sônia tem uma reação controversa, e para mim, é uma das partes mias bonitas do livro. Ao invés de se afastar, julgar e ficar horrorizada, ela abraça Raskolnikov e diz a famosa frase do livro: O que é que você fez consigo mesmo? 

Sônia é a personagem que transcende a moral social, ela é o ponto alto e chave do livro. Um símbolo de compaixão, honestidade, amor e acima de tudo fé. Ela vê que Raskolnikov está em um estado agoniante de tormento psicológico e pede para ele confessar o crime e pedir perdão a Deus. Nesse processo de aceitação, Raskolnikov passa por um processo de aceitação, e redenção. Dostoiévski mostra que a consciência é algo complexo e que transcende todo o nosso querer. Que o homem se regenera e renasce após a dor, arrependimento e sofrimento.

Crime e Castigo é um livro que aborda fé, amor, compaixão, niilismo, psicologia e a mente humana. 


Diário do Subsolo de Dostoiévski 


O que o ressentimento faz contigo?

O livro começa apresentando um personagem cujo nome não é revelado. Ele se intitula um homem doente. 

Sou um sujeito doente, um sujeito maldoso. Um cara repulsivo eu sou.

O homem do subsolo é um ex funcionário público dotado de uma inteligência, porém, amargurado. Ele vive seus dias reclamando de tudo e todos ao seu redor. Vive de forma mesquinha, o ambiente em que vive é deplorável. O estado atual psicológico desse personagem condiz muito com sua realidade. Diz que consciência demais, pensar demais e não agir é uma doença. Sua casa é por demasia suja, úmida e escura, reforçando seu estado de espírito.

Ele prefere se isolar da sociedade porque se autodenomina mais inteligente do que todos e, ao mesmo tempo, inferior. A todo momento vai reforçar a questão de ser e não ser, gerando contradição, passando a ideia de querer te deixar com raiva e, ao mesmo tempo, sentir comiseração por ele a um ponto em que tu se identifiques.  

Na segunda parte do livro o homem do subsolo nos leva para sua fase jovem, ele narra com eloquência tentando justificar suas ações do presente que o levaram a se tornar quem é hoje. Certos pensamentos, dúvidas e incertezas, já faziam parte de sua vida desde cedo, levando a neurose e adoecendo sua alma. 

 A inércia como cúmplice. 

O ser humano é um animal racional, que pensa, e através dessa racionalidade o personagem alega que o homem prefere não agir, mesmo sabendo o que tem que fazer. Prefere ruminar em pensamentos destrutivos, levando a culpa, stagnação e vergonha.

Crítica a Racionalidade: A ideia de que o ser humano sempre age de forma racional, buscando seu proveito, felicidade e seu bem-estar vem do iluminismo. Essa corrente filosófica afirma que, se der ao homem lógica, razão, ciência, ele sempre escolherá o que é bom. Dostoiévski usa o homem do subsolo para quebrar esse conceito afimando que o homem não é uma marionete ou previsível. Mas, e se o homem buscasse o mal para si, mesmo sabendo das consequências em essência? É assim que o homem do subsolo age. Dostoiévski usa essa contradição para mostrar, de forma genial, que o homem não é 100% racional e a vontade humana é irracional.

Flerte com o livre arbítrio: O ato de desejar em si não está ligado a razão ou lógica. As leis da natureza estão ligadas a uma régua moral, segundo o iluminismo, ou seja, somos guiados pela lógica e razão. Mas, o personagem principal afirma que, mesmo sabendo da lógica e das leis que regem o universo, prefere, assim, fazer o oposto, mesmo que isso seja conivente com o mal, trazendo também o mal para si, dando sentido e exercendo o seu livre arbítrio.

É uma leitura muito profunda, requer muita atenção, é densa e também pesada. Eu confesso que delirei bastante junto do personagem, pois, me vi muitas vezes na pele do homem do subsolo. Dostoiévski mais uma vez acerta precisamente e adentra nas camadas mais sujas e profundas da psique humana. Considero o meu favorito dele. 



 Nós que vivemos de Ayn Rand.

Conheci essa autora por indicação do Ragnar. Ele me recomendou A revolta de Atlas, eu li e me apaixonei pela forma profunda que autora descreve as cenas e os temas abordados.

Nós que vivemos é o primeiro romance da autora publicado em 1936. A história se passa na Rússia, na antiga união soviética, numa cidade chamada Petrogrado. A família Agounov se muda para a Criméia quando o governo decide nacionalizar sua fábrica em nome do "povo". Cinco anos depois eles retornam à Petrogrado na esperança de reconstruir suas vidas novamente. 

Agora tendo que dividir um minúsculo apartamento com desconhecidos, que antes moravam numa mansão luxuosa, conquistada por mérito e suor, a família se ver diante das dificuldades do coletivismo imposto por um governo comunista totalitário.

Kira, Léo e Andrei são os três protagonistas desse livro, um triangulo amoroso que é formado de forma bem elaborada e construída. 

Kira Argounov, é a mulher idealista, sonhadora e vive a vida de forma intensa, tem características de heroína e personalidade forte. Enfrenta tudo e todos quando o assunto é colocar em prática as suas ideias. Ela sonha em ingressar numa faculdade de engenharia civil, que na época era difícil para uma mulher devido ao preconceito e o controle obsessivo do governo comunista.

Léo Kovalensky: é um aristocrata, individualista, odeia o sistema e vive isolado. É verdadeiro e leal, não muda sua opinião mesmo com as pressões coletivas. Porém, é sufocado pelo sistema de uma forma trágica e chocante. Ele é a prova de que ser individualista num regime coletivista com leis e sindicatos que beneficiam é assinar a própria carta de suicídio. 

Andrei Taganov: é de origem humilde e é fiel ao partido comunista, membro da GPU (polícia secreta). É considerado dentro do partido como aposta para assumir cargos de importância futuramente. Mas, se vê mexido e começa a questionar suas atitudes, o que acredita e defende quando se apaixona por Kira. 

A vida desses três personagens se entrelaça e no meio disso tudo, kira conhece Léo e se apaixona pela figura que ele representa, porém, o sistema destrói esse relacionamento, de forma lenta e corrosiva. Kira se envolve com Andrei, na tentativa de ajudar seu amado e aí entra a filosofia de Rand, o Egoismo Racional, diferente do senso comum que conhecemos, o Egoísmo racional é defender de todas as formas o que você ama.
Vemos, na prática, como um sistema corrupto e totalitário sufoca sonhos, amores e acima de tudo o individualismo. Nós que vivemos é um livro sobre ditadura, qualquer ditadura, em qualquer lugar, em qualquer momento.



Diferente dos outros da autora que li A nascente e A revolta de Atlas, Nós que vivemos tem um final trágico e comovente, mas, que acima de tudo lhe fará pensar muito sobre ditaduras. 


O código da Vinci de Dan Brown 


O código da Vinci é um clássico, aposto que todos já ouviram falar nessa obra.

A história se passa na França, mais precisamente em Paris, no museu do Louvre, quando um assassinato misterioso acontece. O homem baleado é o curador do museu, cujo nome Jacques Sauniére, e antes de morrer deixa uma série de códigos nas pinturas mais famosas de Leonardo da Vinci para serem decodificadas. 

Sua neta, Sophie Neveu, uma criptógrafa e Robert langdon, professor simbologista de Havard se conhecem no museu e tentam decodificar a mensagem, porém tudo acaba se tornando um pesadelo quando os mesmos se tornam os principais suspeitos do crime. Eles percorrem as ruas de Paris fugindo da polícia e, ao mesmo tempo, se tornam detetives, tentando decifrar o que aconteceu no museu.

Ligando as pistas que vão decodificando durante a fuga, eles descobrem que as mensagens deixadas na cena do crime estão ligadas a uma sociedade secreta, que envolve um segredo maior desde os tempos de jesus cristo. 

O livro é repleto de simbologias, sempre fazendo referência ao sagrado feminino e masculino. 

Historicamente, as relações sexuais eram o ato através do qual o homem e a mulher experimentavam o divino. Os antigos acreditavam que o masculino era espiritualmente incompleto antes de ter conhecimento carnal do sagrado feminino. A união física com a mulher era o único meio pelo qual o homem pode se tornar espiritualmente completo e chegar a atingir a Gnose. O conhecimento do divino.

O santo graal. O graal, ao contrário de que muita gente pensa, não é uma simples taça em que jesus cristo usou na última ceia, mas sim, uma pessoa, pessoa que, com ela, guarda os segredos da linhagem de jesus cristo, Jesus e Maria Madalena teriam se relacionado e deixado descendentes no mundo.

As sociedades secretas abordadas no livro.

O priorado de sião e os cavaleiros templários sendo o mesmo. Foi fundada com intuito de proteger os segredos do Graal e no momento certo revelariam ao mundo. Tendo como integrantes Leonardo da Vinci, Victor Hugo e Isac Newton.

Em contrapartida, temos o Opus Dei. O braço direito do Vaticano, que tenta de toda forma achar o santo graal primeiro e destruí-lo. A verdadeira história que a igreja católica guarda a sete chaves, pois, teme ser revelada. Essa verdade, que, de certa forma, iria chocar os fieis, ablando toda a fé cristã e fazendo a igreja perder seu poder.

 É uma leitura gostosa, fluída. Para quem gosta de conspiracionismo é um prato cheio, pois, o autor mescla ficção e realidade, tornando tudo prazeroso e instigante. O livro é eletrizante do começo ao fim. Os parágrafos são descritos de forma impetuosa, fazendo você sentir a arquitetura do ambiente e viver as cenas das ruas de Paris.  

Início e Fim de Dostoiévski. 


Início e Fim contém duas novelas curtinhas, a primeira chama-se Noites Brancas e a segunda O eterno marido. Eu li Noites brancas. É considerada leitura mais fácil do Dostoiévski, é um romance sentimental.

As noites brancas é um fenômeno que acontece às vesperas do sostício nas regiões adjacentes dos polos terrestres. Ocorrendo em cidades de alta latitude como em São petersburgo na Rússia, onde a história se passa. o fenômeno trás noites claras, com tonalidades prateadas encantadoras, onde pessoas se reúnem em praças para contemplar, fazer caminhadas e realizar encontros amorosos. 

O livro conta a história de um homem solitário, tímido e sensível, cujo o nome se intitula O Sonhador. Ele vive ruminando em pensamentos, vive mais fantasiando em sonhos do que viver a própria realidade. Numa dessas noites ele conhece Nástenka, e passam 4 noites caminhando juntos e conversando. Eles constroem uma relação de intimidade e trocam confissões. O sonhador revela que aquelas noites são os momentos em que ele realmente consegue viver de verdade. 

Ele se apaixona perdidamente por Nástenka, que espera por outro homem que conheceu no passado e prometeu voltar para buscá-la. A trama termina de forma trágica. Nos levando a entender que nem sempre uma história termina com final feliz. 

"Meu Deus! Um momento inteiro de felicidade! Ora, não será isso o bastante para toda a vida de um homem?"

É um livro que aborda a solidão do sentir demais, da timidez e isolamento social. Dostoiévski mais uma vez mostra um personagem complexo, com algumas camadas sutis, porém diferentes dos seus outros romances, noites brancas tem alguns momentos leves, engraçado mas, com um final triste. 


Água Viva de Clarice Lispector


Água viva é um livro diferente que me surpreendeu, quando vi a resenha da Tatiana Feltrin no youtube me chamou a atenção, pois ela falou que não sabia muito como descrever essa história. Quando voltei pro disqus eu vi que o tang tinha feito uma resenha e comentei com ele sobre o livro e no meu interesse em comprá-lo. Passamos dias debatendo sobre e até lemos umas páginas juntos e dar opiniões sobre.

A Clarice usa um estilo de narrativa chamado Fluxo de consciência. Ela vai descrevendo a história num estado de elevação mental, ou melhor Gnose. Um estado divino de consciência, onde descreve a vida de diversas formas e ótica. Ela vai tendo várias epifanias momentâneas, e coloca o texto numa posição empírica.  Leva o leitor a estados profundos de reflexão e em uma partes beira a infantilidade, mas, sem perder a essência e não sendo algo negativo, pois tem uma sensibilidade ali.

O livro começa fazendo uma alusão ao nascimento da VIDA em matéria e metafisicamente à antimatéria. Não segue um enredo, com início meio e fim. Há várias quebras no texto, o que torna o estílo muito único. Não é um livro fácil, pois há muitas camadas, é muito subjetivo num ponto angular que te leva pra cima, pra baixo e pro lado. Torna a percepção da realidade muito única. Há muitos momentos metafísicos que são complexos de compreender e que ela mesmo fala no livro que não está compreendendo no momento.

Foi uma experiência legal e que me surpreendeu bastante pois eu não esperava ler algo tão diferente.

Obrigado por ler. Ler é um ato de coragem e requer paciência, seja paciente e torne-se mais inteligente.